quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Entrega




São coisas que passam, são coisas que vão.
E vem assim me deixando arrepiada, é o tempo, é o vento.
É o toque da mão
Suspira leve, me afaga os cabelos e diz: Estou aqui.
É um beijo que me para
É um olhar que diz: Continua!
Eu quero todo o tempo, sem pressa de viver.
São a luzes de natal que eu vejo ofuscando enquanto contemplo o abraço
É o meu querer, a vontade de ser mais feliz.
São sorrisos, são momentos.
Quero a calma que me faz sentir eterna.
Mesmo que passe, eu saboreio, delicadamente.
O brilho nos olhos, o conforto após o choro,
Gargalhadas que se vão, entregas que me fazem ser eu!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Realmente, Eu quero!




Conheci um homem, que parecia ter poucas palavras a oferecer.
Conheci há pouco tempo, mas como aquelas velhas historias de romances, parece que temos anos de convivência.
Esse homem não tem vergonha de querer se prender, não tem medo de se entregar.
Sim, buscava um alguém que o fizesse parar, parar e observar, olhar sem pensar no tempo, apenas olhar, admirar.
Seus olhos brilham e se encantam com cada gesto que ele descobre, ali, diante dos seus olhos.
Conheci debaixo de uma chuva, fina, que fazia a cidade ter um tom mais nostálgico, eu sempre sei o que falar quando conheço uma pessoa, mas nesse dia não fiz questão de saber o que falar. O jovem homem falava sem medo de ser precipitado, sem medo de parecer um menino que acabará de realizar um sonho, acabará de encontrar algo que o fascinava.
Sim, ele baixa o rosto e escuta, parece que saboreia cada palavra, quem diria eu, fiquei ali, observando  E o que ele quer? Sem mistérios ele fala, o que quer como quer, tem suas certezas, tem seu foco.
E eu curiosa, quero continuar conhecendo esse homem, que aos poucos conquista, é um sorriso desprendido, é um afago na hora certa. Sei o risco que tenho de me prender tanto como ele quer se prender. Sei que posso ficar dias e meses ouvindo os seus desejos, seus planos... E o risco que tenho? É o simples desejo de ser sim, esse desejo, esse plano, esse sonho! Pois usando as palavras desse homem... Realmente, Eu quero!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O homem que era meu pai



Ele era um homem matuto, sem muita instrução, vindo do interior no Piauí
Lembrei desse homem vendo o filme do Gonzaga, seu ídolo
Lembro que no último ano da sua vida ele acabará de comprar um DVD com o especial do Rei do Baião.
Todos os sábados eu ia visita-lo na sua taberna e lá estava ele, ouvindo o xote arrochado o Gonzagão.
Desde da infância o via com a vitrola ligada, deixando rodar um bolachão com um forró das antigas, as letras falando das tristezas e alegrias de um velho sertanejo.
Mas só no último ano de convivência com meu Pai que fui questionar o porquê do seu ídolo ser o Gonzagão. Sentada numa cadeira de macarrão verde, ficava ali escondida atrás do balcão da taberna observando meu pai contar as piadas e a história do Gonzagão, foi quando caiu a ficha.
Ele o admirava porque contava e cantava suas histórias também, havia identificação direta, o migrante, um amor perdido, a fome, o sertão, o rigor do pai.
 Assistindo o filme também lembrei de quanto era complicada a nossa relação, aquele pai que não registrou a filha, aquele pai que traiu a mãe com outra, aquele pai que achava que criar era simplesmente colocar comida na mesa, vi no Gonzaguinha um pouco da minha magoa.
Não havia briga entre eu e ele, mas havia distância, por tantas vezes passamos horas no mesmo lugar, mas sem trocar um palavra, as vezes só o pedido de benção tradicional e rotineiro.
Com o tempo descobri o quanto era difícil dizer realmente o que sentia por ele, alguns dias senti raiva, outras o admirava pela sua luta como pessoa, pois uma coisa não posso negar, ele era trabalhador, todo dia era dia de trabalhar, já foi lavrador, vendedor de pão em porta e porta, dono de taberna, aquelas só pra “bebum” mesmo, vigia e por aí vai...
Era muito orgulhosa para dizer que o amava e ele era muito orgulhoso para tentar descobri o que eu era, nunca conversamos coisas muitos pessoais, nunca perguntou qual era meu sonho, o que eu gostava... Isso era intimidade demais. Mas gostava quando ele dava aquela olhada com orgulho, quando passava de ano, quando me destacava em algo e no último ano de vida, vi que ele se orgulhou por causa do meu primeiro emprego com carteira assinada, falava para os amigos que a caçula já estava trabalhando.
Vendo filme me deu certo incomodo não ter dado um abraço de perdão, não ter tido mais maturidade e com isso me permitir falar mais de mim, mesmo sem ele perguntar, ter deixando a gente se conhecer mais. Ele me ensinou isso, como uma “última lição”, não guardar mágoas e aproveitar as pessoas permitir sempre colocar as cartas na mesa e ser feliz, porque, depois que ele se foi fiquei me questionando: Pra que toda aquela angustia, pra que o orgulho, agora ele se foi e eu não tenho mais o que mostrar o que birrar... Não ia adiantar nada.
O homem que era meu pai, foi um homem que errou, mas foi um homem que ensinou, foi um homem com o sorriso aberto, foi um homem que tentou ser um pai, tentou demonstra seu amor.  
   

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Esconde-Esconde



Eu vi ali, no fim da tarde
Bem pequeno, uma sorriso escondido
Por detrás dos arbustos
Corria, brincava, por fim se escondia
Mas sua gargalhada indicava seu esconderijo
Eu estava ali encolhida, brincava também, ofegante e com a ansiedade de ser descoberta
Sentia apenas o coração bater forte
Ouvia os passos de quem me procurava
Quando olhei para o pequeno arbusto
Vi os olhos arregalados e divertidos da minha amiga
Com o dedo indicador a frente da boca, fazia o sinal de silêncio.
Ali descobri como era o olhar de cumplicidade
Seu brilho esperto
Balancei com a cabeça, o trato feito naquele momento
Depois de contados os números enfim nos revelemos, comemorando o gosto da vitória
Era só uma brincadeira, apenas uma diversão que me ensinou a primeira lição.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Montando o quebra-cabeça




Parece que falta uma peça nesse meu quebra-cabeça, essa melancolia que vem e me faz sentir falta, incompleta.
Reflito sobre o que falta fazer, o que posso melhorar, como posso aproveitar melhor o precioso tempo. Será que estou me preocupando demais?
Escuto que tenho que aproveitar a vida... E estou aproveitando?
Às vezes penso que posso fazer mais, que posso ser melhor em algumas coisas, parece que nunca é o suficiente.
Não falo de felicidade, falo da vida em geral...
Nessas minhas buscas percebo, observando outras pessoas, que tão pouco fiz.
O tempo vai passando, as pessoas vão, e a gente vai ficando, principalmente com a saudade, esse sentimento que poderia ter aproveitado mais essas pessoas que se foram.
AÍ me vem à mente a questão que tudo tem seu tempo, penso nessa frase como se uma voz masculina e de timbre bem grave falasse ao meu ouvido: “TUDO TEM SEU TEMPO!”
E sim, tem seu tempo, porém é a gente perceber que está no tempo certo, e com o passar dos anos vejo que não é uma insegurança exclusiva da juventude, percebo que muita gente com mais idade ou experiência tem essa insegurança também, a diferença e que com o tempo a gente aprende a lidar com esses sentimentos, não é tanta novidade as inseguranças, os medos, a dor, a decepção, a paixão e etc...
O tempo, com sua singela gentileza, vai amadurecendo os sentimentos.
Tem pessoas que me dizem que pareço uma anciã, apesar da juventude, falo como se já tivesse vivido muito, porém isso é só uma impressão mesmo, apenas tenho uma memória curiosa, lembro de fatos que ocorreram quando era muito nova e tive experiências que, simplesmente, me deixaram experientes em certos aspectos.
Mas no fundo, as inseguranças e medos continuam, e continuaram, lógico que com diferentes formas.
E essa falta, será que continua? Li certa vez que a melancolia faz bem, pois deixa a pessoa inquieta, sempre buscando inovar, criar novos caminhos, viver novas experiências, e desde que li isso tento encarar dessa forma, entender que essa falta é importante para o crescimento.
Parece que quando não existe mais esse sentimento, não há mais sentido em viver, se não há mais busca, o que sobra é ficar parado vendo a vida passar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

E essa Chuva...




Depois de tanto vento, depois de tanta chuva o que resta?
Sabemos que não são eternas essas construções, sabemos que essa chuva vem para lavar não só as ruas que estão cheias tanto lixo
Vem pra lavar a alma, bagunçar os cabelos
E essa chuva e esse vento...vem para levar a luz elétrica, vem para apagar as lâmpadas
Eu percebi que quando tudo se apagou, os celulares descarregaram, as pessoas se juntaram
Conversaram
Foram se refrescar debaixo da árvore
A menina foi sorrir com a criança de colo, a mãe foi observar as fotos antigas
Todos foram dormi tarde, apesar do calor, a luz da vela iluminou o brilho nos olhos daquela família
E depois de tanto tempo o velho rádio de pilha foi ligado, com o som chiado, estava tocando aquela velha música de amor.
Eu digo que o medo vem no escuro
A sensação de desconforto é ruim....nada fica prático sem a luz, sem tudo na palma da minha mão
Os carros ficaram parados, a angústia da rotina quebrada vem.
Mas agora eu vou me permitir molhar o rosto, ouvir o barulho da chuva, vou me permitir sorrir sem pensar no problemas...
Pode chover!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cheia de querer



Eu quero ter a maior felicidade
Eu quero ser melhor amanhã
Quero os amigos por perto
Quero um amor para suavizar minha vida
Quero minha família unida
Sou cheia de querer, cheia de desejos.
Oro por isso, sonho com isso.
Acordo todos os dias pensando nisso
Faço o trabalho que me é designado
Tento ter dignidade na vida
Sou de enfeitar a vida, tentando olhar por entre as brechas, que a vida deixa.
Sou curiosa, eu vou à busca das alegrias momentâneas.
Momentâneas, porém, inesquecíveis.
Gosto de olhar devagar, sem pressa de observar cada detalhe.
Gosto dos sorrisos, gosto do cheiro e do abraço das pessoas que amo.
Nostálgica, sim eu sou... sem perceber derramo as palavras cheia de saudade.
Por isso sou cheia de querer, por isso busco.
Não ligo pra magoa, não ligo pra birra, se for necessário não custa nada eu dar o primeiro passo.
Eu não sei quantas oportunidades eu vou ter.
Vou escancarar o que eu quero, sem jogos, sem blefe.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

As aparências



Quando o olhei já determinei tudo
Cometi o erro.
Pelo seu jeito de vesti, julguei seu estilo
Pela sua opinião em certa conversa entendi seu posicionamento
Fiz aquilo que temos que evitar
As aparências enganam e como enganam, até eu já fui rotulada
E que não foi?
Eu tento todos os dias, e certas vezes, consigo não me precipitar, não querer saber as respostas apenas por suposição.
Querer saber o fim antes de tentar fazer um começo.
Sorte tenho quando essa barreira é quebrada
Sorte tenho quando acontece o inesperado.
A vida me da uma oportunidade de ter um novo amigo, um novo amor.
Uma nova paixão
Eu negando por conceitos e egoísmos
Por que não conversar?
Chegar mais perto pra ver a cor do olho, sentir o perfume, tocar a pele.
Saber como é o som da risada de perto
Saber suas experiências, achar o que há em comum.
É besteira esse medo da decepção. Eu pergunto o que vale a pena. O tentar ou o não tentar?
Cada um sabe o que esta em jogo nas suas escolhas.
E se eu pensar primeiro no que posso perder antes de pensar no que vou ganhar?
Se pensar com cuidado, essa mudança de fatores altera a decisão.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Jardim da vida.



Eu tenho um jardim
Que certos dias transbordam de cores
E em outros de um tom só fica.
Nesse Jardim me atrevo a jardinar, cuidar, proteger e admirar.
Nos dias de chuva tento aproveitar a água, que refresca e alegra as rosas
Nem sempre essa chuva é calma, por muitas vezes tempestades com ventos derrubam alguns galhos, felizmente os galhos mais velhos que já contribuíram para esse jardim.
Gosto nos dias de sol sentar-me em um banco para observar o meu jardim, não só com os olhos.
Sinto o aroma suave que exala a brisa leve acarinhando a relva um pouco crescida.
Todos os dias estou ali, querendo notar um novo desabrochar ou uma falha nos arbustos. Nem sempre sei o que fazer para embelezar e adornar melhor o meu jardim.
Aceito de bom agrado um conselho amigo de outro jardineiro, assim como aproveito nas minhas tentativas falhas repassar aquilo que não deu certo.
E como amo meu jardim, não é muito grande, nem tantas espécies de flores há, mas as que estão nele me fazem bem.
Descubro com o tempo que as pequenas mudanças que ocorrem nele são tão sutis que me emocionam, transforma a mim também uma simples jardineira.