Se hoje eu tivesse a oportunidade de abandonar tudo, será que iria deixar tudo??
Se hoje fosse colocada a chance de esquecer tudo que vivi até hoje, dores, amizades, amores, desesperos, alegrias, pessoas... Eu ia conseguir me desprender?
Reclamamos todos os dias de muitas coisas, e se formos colocar numa balança, muita coisa mesmo. Passamos dias e sem querer anos sem perceber o que realmente nos faz feliz. Desejamos diariamente, imaginamos, idealizamos, sonhamos com o futuro. Esse futuro, futuro tão aclamado!Tantas vezes fiz e refiz a minha história, quantos lugares fui e voltei, quantas pessoas conheci e desconheci quantos momentos eu quis viver e quando percebi, já tinha vivido mais do que imaginei, e vivi até melhores momentos que minha aguçada imaginação não conseguiu criar. E eu tola não acreditava que aquele presente era a minha vida e o passado que teria saudade e nostalgia.
É quase normal falar que o futuro será melhor, ou seja, será que o presente nunca está bem?
Pode ser radical pensar dessa forma, mas depois de tanto ouvir que o futuro será sempre melhor fico pensando se realmente agora, hoje, está ruim.
Nessas horas penso numa frase que Albert Einstein falou “O presente não existe, ele é tão rápido que não cabe no espaço que o passado deixa para o futuro” essa citação está resumida. Mas o sentido que eu quero mostrar, é que viver o presente pode ser tão mais complicado do que imaginamos, essas reclamações diárias acabam ficando mínimas diante da complexidade que há nessa determinação do tempo.
São poucos os momentos que paramos e pensamos no que está acontecendo no momento por si só, essa necessidade que certos poemas citam de que se fosse possível o instante seria congelado, que o segundo tornar-se-ia horas, aquela sensação que os amantes têm quando estão com seu amado (e que sensação boa é essa!).
Penso que esse desejo poderia ser ampliado, que a vida propõe várias oportunidades de apreciação. Como o vento no rosto ou o sabor de algo que você come raramente, o olhar de quem você ama a gargalhada do amigo. È aquela velha frase que as pessoas falam que a gente só dá valor quando perde, isso poderia urgentemente ser modificado. Esse valor poderia ser mais efetivado entre as pessoas.
Por isso a indagação feita no início do texto, será que deixaria esses presentes que com o tempo fizeram meu passado ir embora, assim, como se eu não tivesse idealizado?
Isso seria uma injustiça com a vida, com os laços feitos, desfeitos e refeitos que a vida faz, seria como ler um ótimo livro e dizer que dele nada se pode tirar. Com o tempo agente aprende a viver sem muita pressa, pelo menos espero isso, é a tal da paciência que sempre falta e a ansiedade que veda nossos olhos e o medo de não viver.
Por isso antes de desejar que tudo seja jogado para o alto, que nada que passou importa é melhor pensar duas ou três vezes, não vamos desperdiçar o que já foi vivido, de uma forma ou de outra é dela que somos compostos, é o que corre na nossa alma. Vida.
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