Senti no rosto o esboço de um sorriso preguiçoso, lembrei de quando era pequena e tudo parecia tão grandioso, imenso, das minhas brincadeiras solitárias e das brincadeiras na rua. Eu toda esmiliguida tentando ser grande, como o resto que tudo que enxergava.Tentando fazer parte daquela historia, tentando ser vista.
Hoje sou mulher, com horários, compromissos, reclamando do tempo todo o tempo, querendo de tudo mais um pouco, as vezes chata, exigente e complicada. Essa manhã eu parei um pouco, queria aproveitar o despertar, criar coragem para enfrentar mais em dia, aguentar a falta de paciência das pessoas, a ironia que se tornou popular.
Mas ao mesmo tempo me preparava para ter um novo dia, uma nova oportunidade, ter a possibilidade de ver meus amigos, abraça-los, rir sem motivo até as bochechas ficarem doloridas, tentar matar a saudade de alguns, ajudar quem está precisando, ler um bom texto, admirar o olhar da minha sobrinha, tentar proteger aqueles que precisam do meu apoio!
Dei uma olhada na minha foto quando criança, vi que meus olhos não mudam, que no fundo ainda sou a mesma menina querendo ser grande, que pode passar mais 23 anos e eu vou ter a mesma vontade de alcançar o pote de doce no alto da geladeira, que vou ficar de pontas de pés para espiar o que há depois do muro, que ainda vou ter medo das vozes rígidas e altas dos mal-humorados adultos. Que o não nunca vai ser aceito por completo, que sempre vou querer dormi um pouco mais no domingo.
Enfim nada pode me mudar completamente, mas tudo vai me moldar, ou me enfraquecendo de um lado e me fortificando em outro, sempre vou está em busca do meu equilíbrio.
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