quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Olhando a Cortina, Olhado a Vida



Ela estava lá, deitada em sua cama, sentindo a cortina tocar seu rosto, conforme o vento passava. Olhava o céu, azul e branco, branco e azul, a cada piscar uma cor, cortina e céu, céu e cortina. Ela gostava do roçar do tecido em seus lábios e cílios, ela gostava do som que o vento fazia nas folhas, e do frescor daquele fim de tarde.
Inebriada pelos pensamentos ela sonhava, cantarolava uma canção de amor antiga. E naquele dia ela se sentia feliz, sem motivo especifico apenas feliz. Pensava no tempo, lembrou de um texto que havia lido que falava o quanto ele era duro e ao mesmo tempo operava milagres, ela sabia muito bem disso, e quanto mais pensava, mais tinha certeza que o tempo era mais gentil que rude.
Lembrou dos seus sofrimentos e suas inseguranças, lembrou das dificuldades que teve e ainda tem e lidar com certos sentimentos e circunstâncias.
Percebeu que já não era uma menina, percebeu que ficavam cada vez mais raro esses seus momentos de tranquilidade, dessa sua solidão necessária até, desses seus momentos avaliativos da própria vida, nunca mais tinha dançado sozinha, nem corrido longas distâncias apenas para ficar ofegante e se divertir por isso. Pensou que não consegue mais ser tão inocente e que confiança se torna cada dia mais difícil adquirir. Nesse redemoinho de pensamentos voltou ao tempo, que só ele mesmo pode resolver essa dificuldade com a confiança, que foi ele o causador da saudade que sentia de algumas pessoas e de alguns momentos e só o tempo para afagar essa saudade e acalmar a angustia.
E naquele momento ela queria a eternidade, a eternidade da sensação de está bem, satisfeita com ela mesma. Mas no fim do que adiantaria essa eternidade pensou ela, do que adiantaria, o egoísmo de querer apenas um sentimento, uma sensação, um momento, para que vale a vida se não for as várias histórias possíveis que ela pode proporcionar.
Vale a pena sorrir pela saudade ou chorar se for o caso, vale a pena olhar para vida, sem medo do que ela vai ser, sem vergonha do que ela é e nem mágoa pela o que ela foi.

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